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terça-feira, 5 de julho de 2016

LENDAS DE OGUM

LENDA 1

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho (informação pessoal do Oníìré em 1952). Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. 


Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de ògúnjá. 



Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.


Lenda 2

OUTRA VERSÃO PARA ESTA LENDA

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé.

Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê. Antigamente, esta cidade era formada por sete aldeias. Por isto chamam-no, ainda hoje, Ogum mejejê lodê Irê - "Ogum das sete partes de Irê".

Ogum matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! - "Ogum Rei de Irê!"

Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, "akorô". Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô - "Ogum dono da pequena coroa".

Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede.

Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma.

Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.



OGUM - Lenda 3

Oyá vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregava seus instrumentos, manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual a que lhe pertencia que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove partes, caso estas as tocassem em uma briga.

Xangô gostava de sentar-se perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro, e sempre lançava olhares a Oyá; ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô.

Xangô era muito elegante, seus cabelos eram trançados, usava brincos, colares e pulseira. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição deles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim que Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove partes, recebeu ele o nome de Ogum Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Iyámésàn a mãe transformada em nove.

LENDA 4 


Ogum tem estreita relação com o número sete, o que é explicado por duas lendas iorubanas. Na primeira, ele aparece como o guerreiro - filho de Odudua, rei de Ifé - que conquista a cidade de Irê e assume o título de Oni (senhor ou rei). Em torno de Irê havia sete aldeias, hoje desaparecidas. Por essa razão, acreditava-se que Ogum fosse composto por sete partes, uma para cada aldeia conquistada. Em iorubano, sete é mejê, de onde resultou a expressão Ogum Mejê (O Ogum que são sete, ou o Ogum composto de sete partes). É a ele, portanto, que o ponto é dedicado.

A outra lenda fala do casamento entre Ogum e Oiá. Ogum tinha uma vara mágica, feita de ferro (metal que lhe está associado), que tinha a propriedade de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres que tocasse. Em sua oficina de ferreiro, Ogum confeccionou uma vara igual e deu-a de presente a Oiá. Algum tempo depois, porém, Oiá fugiu com Xangô e foi perseguida pelo furioso marido traído. Quando se encontraram, entraram em combate com suas varas mágicas, dividindo-se Ogum em sete parte e Oiá em nove. Por isso ela é chamada de Iansã, termo composto de duas palavras iorubanas: Iá ou Inhá (mãe) e messan (nove). 


OGUNHÊ!






quarta-feira, 22 de outubro de 2014

OGUM BEIRA RIO

Beira Rio, Beira Rio, Beira Mar
O que  se ganha de Ogum
Só Ogum pode tirar

Beira Rio, Beira Rio, Beira Mar
O que  se ganha de Ogum
Só Ogum pode tirar

Seu Ogum é de Ronda
Ele vem girar
Vem trazendo folhas
Pra descarregar

OGUM BATEU NA PORTA

Cavaleiro na porta bateu
Eu passei a mão na pemba para ver quem era...

Cavaleiro na porta bateu
Eu passei a mão na pemba para ver quem era...

Era São Jorge Guerreiro, minha gente! Cavaleiro na Força e na Fé!

Era São Jorge Guerreiro, minha gente! Cavaleiro na Força e na Fé!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Salve Ogum! Salve Ogum! Salve Ogum!





Orixá guerreiro, Ogum é aquele que representa todas as batalhas da vida. Representado por São Jorge, é o orixá protetor contra as guerras e contra diversas demandas espirituais; Ogum é a força do movimento. É ele quem protege os seguidores da Umbanda e as pessoas que sofrem perseguições espirituais ou materiais. Ogum também é o senhor das estradas, é a jornada do dia a dia e sua responsabilidade é a manutenção da lei e da ordem.




Ogum, meu Pai - Vencedor de demanda, 
Poderoso guardião das Leis, 
Chamá-lo de Pai é honra, esperança, é vida. 
Vós sois meu aliado no combate às minhas inferioridades. 
Mensageiro de Oxalá - Filho de OLORUN. 
Senhor, Vós sois o domador dos sentimentos espúrios, 
depurai com Vossa espada e lança, 
Minha consciente e inconsciente baixeza de caráter. 
Ogum, irmão, amigo e companheiro, 
Continuai em Vossa ronda e na perseguição aos
defeitos que nos assaltam a cada instante. 
Ogum, glorioso Orixá, reinai com Vossa falange
de milhões de guerreiros vermelhos e
mostrai por piedade o bom caminho
para o nosso coração, consciência e espírito. 
Despedaçai, Ogum, os monstros que habitam nosso ser, 
Expulsai-os da cidadela inferior. 
Ogum, Senhor da noite e do dia
e de mãe de todas as horas boas e más, 
livrai-nos da tentação e apontai o caminho
do nosso Eu. 
Vencedor contigo, descasaremos
na paz e na Glória de OLORUN.
Salve Ogum!
Ogunhê!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ogum

Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, soldados, ferreiros, trabalhadores, agricultores e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia.
4ª Linha da Umbanda, esta Linha, dirigida por Ogum (São Jorge), "Orixá da Guerra", cujas Legiões são chefiadas por guerreiros de diversas raças, constituídas de Caboclos, Preto Velhos e Exus, invoca as demandas espirituais.
Legião de Ogum Beira-mar, aliada ao povo do mar
Legião de Ogum Malei, aliada à Linha de Malei (Povo de Exu)
Legião de Ogum Megê, aliada ao povo Megê (negros africanos)
Legião de Ogum Naruê, aliada ao povo Naruê (escravos de várias raças)
Legião de Ogum Nagô, aliado ao povo de ganga (Linha de Nagô)
Legião de Ogum Iara, aliada ao povo dos rios (Caboclos)
Legião de Ogum Rompe-Mato, aliada a Oxossi e seu povo da mata
Orixá do ferro e da guerra, cujas lendas sob seu respeito falam de um terrível guerreiro, sempre envolvido em batalhas para aumentar seus domínios; justiceiro impetuoso eleva acima de tudo o conceito de honra.
Ogum, como personagem histórico, é apontado como o filho mais velho (primogênito) de "Odudua", o fundador de Ifé (cidade da Nigéria, considerada a capital religiosa dos iorubás). Segundo estas pesquisas, era um homem extremamente belicoso, cuja principal função era a de chefiar o exército de sua cidade-estado em costumeiras invasões aos reinos vizinhos, saqueando os Estados derrotados e ampliando a área de seus domínios de poder de sua linhagem.
Ogum, sendo irmão de Exu, tem grande entrosamento com ele. Se Exu é dono das encruzilhadas, assumindo a responsabilidade do tráfego, de determinar o que pode e o que não pode passar, Ogum é o dono dos caminhos em si, das ligações que se estabelecem entre os diferentes locais.
Os lugares consagrados a Ogum são todos ao ar livre.
Para Ogum, a retidão, a verdade e a justiça são importantes, mas sua principal ocupação não é determinar o que é certo ou errado, e sim apenas fazer prevalecer aquilo que julga certo, portando Ogum faz justiça com as próprias mãos, empreendendo e decidindo, jamais deixando para outro o que julga ser problema e domínio seu.
Os filhos de Ogum têm gosto pelas viagens, pelas mudanças, tendo dificuldade para se estabelecer de maneira gregária em algum lugar.
Além disso, os filhos de Ogum são, violentos, impulsivos, porém justiceiros e defensores dos mais fracos e normalmente lideram. Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São conquistadores, incapazes de se fixar num mesmo lugar, apreciadores de novidades, desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas.
Em termos físicos tendem a serem esguios, musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos.
Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações perenes, mas sim superficiais e rápidas.
Saudação: "Ogum Iê”
Cores: vermelha na Umbanda
Símbolo: espada, lança e escudo
Sincretismo: São Jorge - 23 de abril
Dia da Semana: 3ª. feira
Metal: Ferro, Aço e o Manganês.
Essência: violeta.
Pedras Preciosas: Garnet, Rubi, Sardio.
Bebida: cerveja branca.
Flores: cravos brancos e vermelhos, palmas vermelhas e crista de galo.
Fruta: manga espada.
Comida: Inhame assado na brasa partido ao meio regado com dendê, ou Inhame cozido partido ao meio regado com mel.
Ervas: Espada se S. Jorge, Aroeira e S. Gonçalinho.
Habitat: clareira no meio da mata, estrada de rodagem e de ferro.
 
Saúde: ele rege o coração e as glândulas endócrinas.